sexta-feira, 6 de maio de 2011

Papa explica significado de dizer "Creio" em concerto no Vaticano

Leonardo Meira
Da Redação, com informações do Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé (tradução de CN Notícias)


Montagem sobre fotos / AP e Reuters
Bento XVI e o presidente Giorgio Napolitano: ''Crer é descansar sobre a base sólida, Deus'', diz o Papa
O Papa foi homenageado com um concerto ofertado pelo presidente da Itália, Giorgio Napolitano, na tarde desta quinta-feira, 5, às 18h (hora local). A apresentação aconteceu na Sala Paulo VI, no Vaticano, por ocasião do sexto aniversário doinício do Pontificado de Bento XVI, comemorado no último dia 24.

A Orquestra e o Coro do Teatro da Ópera de Roma executaram as obras Credo RV 591,de Antonio Vivaldi, e o Stabat Mater, de Gioachino Rossini. No início da apresentação, Napolitano felicitou o Santo Padre pelo aniversário pontifício. Ao final do concerto, o Bispo de Roma dirigiu algumas palavras aos presentes.

"'Credo', 'Amém': são as duas palavras com as quais se inicia e se conclui o 'Credo', a 'Profissão de fé' da Igreja, que escutamos. O que significa dizer creio? É uma palavra que tem vários significados: indica acolher algo entre as próprias convicções, ter confiança em alguém, estarmos convictos. Quando, porém, a dizemos no 'Creio', essa palavra assume um significado muito mais profundo: é afirmar com confiança o sentido verdadeiro da realidade que nos sustenta, que sustenta o mundo; 
significa acolher esse sentido como o sólido terreno sobre o qual podemos estar sem temor; é saber que o fundamento de tudo,  de nós mesmos, não pode ser feito por nós, mas pode ser somente recebido. E a fé cristã não diz 'Eu creio em alguma coisa', mas bem 'Eu creio em Alguém', no Deus que se revelou em Jesus, n'Ele percebo o verdadeiro sentido do mundo; e esse crer envolve toda a pessoa que está em caminho rumo a Ele. A palavra 'Amém', pois, que em hebraico tem a mesma raiz da palavra 'fé', retoma o mesmo conceito: o confiante descansar sobre a base sólida, Deus", disse.

O Papa abordou a obra Credo RV 591,de Antonio Vivaldi, fazendo três observações.

A primeira é a ausência de solistas, havendo somente o coro. Desse modo, Vivaldi quis expressar o 'nós' da fé: "O 'Creio' é o 'nós' da Igreja que canta como comunidade de fiéis a sua fé; o 'meu' afirmar 'creio' está inserido no 'nós' da comunidade", explicou o Sucessor de Pedro. A segunda são alguns trechos centrais – Et incarnatus est eCrucifixus, que ressaltam o momento em que Deus, que parecia distante, se faz próximo, se encarne a doa a si mesmo sobre a Cruz. Por fim, o Papa lembrou um grande expoente do teatro veneziano, Carlo Goldoni, no seu primeiro encontro com Vivaldi, que disse tê-lo encontrado circundado pela música e com o Breviário nas mãos. "Vivaldi era sacerdote e a sua música nasce da sua fé", salientou o Pontífice.

Quanto à segunda obra executada na noite, Stabat Mater, de Gioachino Rossini, Bento XVI recordou que é uma grande meditação sobre o mistério da morte de Jesus e sobre a dor profunda de Maria.

"Queridos amigos, espero que as músicas desta noite tenham nutrido também a nossa fé. Ao Senhor Presidente da República Italiana, aos solistas, aos integrantes do Teatro da Ópera de Roma, aos organizadores e a todos os presentes, renovo a minha gratidão e peço uma recordação na oração, pelo meu ministério na vinha do Senhor. Ele continue a abençoar a vós e aos vossos queridos. Obrigado", concluiu.

A tarde colocamos o Angelus com o papa no Blog viu Blogueiros.

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